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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

O Mar - Murilo Mendes

O MAR
de Murilo Mendes



Debruço-me sobre o cais de onde não parte navio algum, 
Vendo ouvir o mar esvoaçante. 
O mar não me dá gana de partir, 
O mar me dá gana de ser permanente, definitivo. 
Em oposição ao mesmo mar 
Que se debate e grita num comício perpétuo. 



Dobrando a esquina encontro o tigre. 
Não sou blindado como os navios para afrontá-lo, 
Nem costumo uivar como o vento. 
Fico de longe, fazendo-lhe sinais 
A que o farol vermelho e verde responde. 
Que se passará nos salões da gaivota? 



O mar do outro mundo, o mar regenerado 
Incluirá suaves sirenas 
Que nos atrairão para a vida. 
O mar inocente e reduzido 
Nós lhe traremos flores de coral. 


Publicado no livro Poesia Liberdade de 1947. Transcrito de: http://www.avozdapoesia.com.br/obras_ler.php?obra_id=18243



Murilo Monteiro Mendes, nasceu no dia 13 de maio de 1901, em Juiz Fora (MG). Aos 9 anos diz ter tido uma revelação poética ao assistir a passagem do cometa Halley. Inicia os estudos na cidade natal e continua em Niterói (RJ) no Internato do Colégio Salesiano. Em 1917, uma nova revelação: fugiu do colégio para assistir, no Rio de Janeiro, às apresentações do bailarino Nijinski. Muda-se definitivamente para o Rio em 1920. Os anos de 1924 a 1929 foram dedicados à formação cultural e à luta contra a instabilidade profissional. Foi arquivista no Ministério da Fazenda e funcionário do Banco Mercantil. Nesse período publica poemas em revistas modernistas como "Verde" e "Revista de Antropofagia". Seu primeiro livro, "Poemas", é publicado em 1930. É agraciado com o Prêmio Graça Aranha. Em 1934, ingressa num grupo católico formado por artistas e intelectuais e desenvolve temas religiosos. Torna-se inspetor de ensino em 1935. Em 1940, conhece Maria da Saudade Cortesão, com quem se casaria em 1947. Em 1946, torna-se escrivão da 4ª Vara de Família do Distrito Federal (Rio de Janeiro).  Em 1953, foi convidado para lecionar literatura brasileira em Lisboa. De 1953 a 1955, percorreu diversos países da Europa, divulgando, em conferências, a cultura brasileira. Muda-se para a Itália em 1957, onde se torna professor de Cultura Brasileira na Universidade de Roma. Foi também professor na Universidade de Pisa. Seus livros são publicados por toda a Europa. Em 1972, recebe o prêmio internacional de poesia Etna-Taormina. Vem ao Brasil pela última vez. Murilo Mendes morre em Estoril, Lisboa, no dia 13 de agosto de 1975. (Fontes: http://www.releituras.com/mmendes_menu.asp e https://www.ebiografia.com/murilo_mendes/)

A calmaria do mar é agitada pelos ventos e astros. Na sua imensidão, um murmurar sem fim. Ondas a vagar, ventos a uivar. Navegar é preciso. Mas não há navios no cais. Permanecer também é preciso. O rochedo no seu embate permanente com as ondas. O mar reduzido, regenerado. Vida a ser festejada com um bouquet de flores de coral.
Por F@bio